terça-feira, 17 de julho de 2012

Vi na TV recentemente, um psicólogo dizendo que a mulher demora mais pra terminar um relacionamento mas quando faz é porque já tentou de tudo. Já deu chance, já perdoou, já pediu pra mudar, já mudou, já fez e aconteceu e nada mudou. Já os homens têm mais facilidade em jogar tudo pro alto. Porém na maioria das vezes, eles voltam atrás. Se isso é verdade eu não sei mas eu, particularmente ando mais adepta da razão. Nós mulheres somos mais tolerantes. A gente fica em casa enquanto o namorado vai beber com os amigos, enquanto ele vai jogar futebol, enquanto ele viaja a trabalho. Mas enquanto a gente ta em casa, a cabeça pensa, dá voltas, procura uma saída. A cabeça pesa, põe na balança os prós e os contras. Enquanto ele grita, a gente fica muda e pensa. Dizem que a mulher é mais emoção mas me desculpem. Quando decidimos algo importante na nossa vida, somos só razão. E a razão demora, pensa, repensa, pesa, calcula, avalia. A razão dá chance. Acredita na mudança, faz a gente mudar. A emoção é toda atrapalhada. A emoção sai batendo a porta. A emoção grita, xinga, esperneia, faz pirraça, chora. A emoção põe tudo a perder no momento errado. Mulher é muito assim: emoção pura ao longo do caminho. Mas a gente sabe que quando a decisão é séria, a coisa precisa ser pensada e a gente não põe tudo a perder a toa. Quando damos a cartada final é porque não há mais nada a perder. A gente já olhou por todos os ângulos, já fez os cálculos de todas as probabilidades disso dar certo e concluiu que não dá. A gente vai sentir falta. O domingo à noite vai ser foda. Vai doer pensar que ele vai ser de outra. Mas tudo isso a gente já pensou antes. Nada disso vai ser mais foda do que continuar no relacionamento. Relacionamentos são pra deixar a gente mais feliz. Estou falando de rolo, namoro, casamento. Se veio mais um pra ficar com a gente, é pra somar. Se ta dando dor de cabeça, se ta pesado, se ta sofrido, se ta fazendo mal, melhor sem ele. Um namorado me disse certa vez, que não estava feliz comigo. Achei justo que terminássemos. A última coisa que quero no mundo, é fazer alguém infeliz. Se já não é fácil agüentar a própria infelicidade. Agüentar a dos outros é quase impossível. Já fui só emoção. Daquele tipo de mulher que desliga telefone na cara, depois liga de novo (a doida, né?!). Que termina namoro na hora que ta irritada. Que vai embora da casa do namorado carregando a mala. Que procura pra voltar, em prantos. Que fala, grita, xinga e chora ao mesmo tempo. Nada que uma dose cavalar de razão e cabeça fria não resolvam. Hoje deixo as coisas pra resolver depois. De cabeça fria, a gente pensa melhor e corre menos risco de fazer merda. Hoje depois de ter dito muita coisa que magoou muita gente e ter ouvido muita coisa que me magoou, eu penso antes de falar. Eu respiro fundo e conto até cem mil se precisar. A palavra dita não tem volta. A ferida que ela causa fica pra sempre. Então hoje, prefiro ser mais razão e menos emoção. Prefiro demorar pra tomar decisões, mas fazer a coisa certa.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Coisas que eu gosto

Bom humor. Gente educada. Abraço apertado. Escrever. Sorvete de flocos. Gentileza. Shampoo cheiroso. Praia no final da tarde. Minha família. O bom e velho rock´n roll. O sorriso da minha afilhada. Livrarias. Céu estrelado. Ter saúde. Minha gata. Cheiro de livro. As covinhas do Eduardinho. Almoço de domingo. Ler à noite. Olhar para o mar. Vinho tinto. Gente leve. Meu pai que fala “gúgli”. Sapato novo. Livro novo. O olhar “verdolengo” da minha mãe. Brigadeiro quente na panela. Ir ao cinema. Filme bom. Programas de índio (sim, eu sou estranha). Gente humilde. Viajar. Pessoas que sabem elogiar. Telefone no silencioso. Receber um SMS fofo. Filtro solar que não gruda. Folha em branco. Falta de frescura. Ficar sem fazer nada (viva o ócio!). Minhas amigas do peito (são poucas, acreditem). Eclair de limão do Verdemar. Sentir o jeans mais largo. Integridade. Sair satisfeita do salão. Acordar tarde aos sábados. Meus irmãos (sempre!). Pessoas que valorizam a arte. Pessoas que gostam de ler. Pessoas que incentivam a cultura no país. Gente com atitude. Gente otimista. Homens bem resolvidos. Mulheres que se valorizam. Suco de laranja puro e gelado. A camisa rosa dele. Conversar só com o olhar. Beijo na boca. Uns bons “amassos”. Tour na fazenda do vovó. Delivery. Colecionar frases. Correr com uma ótima trilha sonora. Andar no meio do mato. Compras coletivas. Conversar com crianças (me divirto!). Letras de música que falam por mim. Ele tocando violão. Ver que alguém lavou a louça da cozinha (e não fui eu!). Lençol cheiroso na cama. Cachoeira. Um pouco de silêncio. Ver um episódio novo de “Monstros do Rio”. Casa limpinha. Fazer um “ok” em todos os itens do dia na minha agenda (é raro, mas acontece). Alto astral. Minha foto com meu avô (saudade feliz!). Pessoas autênticas. Cafuné. Ônibus (ou avião) vazio. Sair por ai e conhecer lugares novos (sou geminiana). Cantar sem saber a letra (meu hobby!). Céu azul. Conversar com gente inteligente. Sentir-se em paz. Sentir amor. Doce com salgado. Café. Ter fé (sempre!). E o melhor: saber que essa lista apenas começou...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

No fundo, eu sou de mentira.

Desculpa minha maneira de dizer, assim, sem qualquer introdução ou motivo, mas você não mente bem. Quanto mais você tentou mostrar que não se importava comigo, mais deixou claro que toda a sua atenção da noite era pra mim. Se dependesse de você, ficaríamos eternamente nos encarando sem chegar em lugar nenhum. Você se tornou o desafio perfeito e, confesso, sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é. Fui eu quem cuidei da parte da atitude, da conversa, do momento certo. Acho muito cansativo ser responsável por tudo, então eu desisto de tentar te fazer humano. Pode seguir com sua falta de vida, cheio de pose e frases prontas. Não vou passar dias te observando só porque você é lindo calado, não vou deixar você me cercar a noite toda e depois ir embora só porque dessa vez eu não devolvi o olhar e você ficou sem saber o que fazer. Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar. Era muito fácil com aquelas garotas, não? Um pouco de álcool, o que você faz da vida, vamos fugir de todo mundo. Mas e alguém de corpo e alma? Aí você desiste, porque no dia seguinte não tem mais o que falar. No fundo eu sou de mentira, assim como você. E não é uma identidade que nos tornará real. Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito me perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar. E nós seguimos sendo nada, sendo só rosto marcante e nome fictício, enquanto você não descobre que eu leio sua insegurança e me disponho a curá-la e eu tenho preguiça de dizer. Vou deixar você procurar em todas o que você só vai achar em mim, mas não vou te esperar. Quando você perceber, será tarde demais. Mas eu deixo você olhar, porque você é lindo calado e eu falo para um plateia inteira. Se algum dia Manequim for objeto de palco, a gente se encontra.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Eu tenho estria na alma

Estou de rosa. Calça, sapatilha, blusa, óculos. As meninas que passam por mim, que sempre me olham com certo ódio típico de mulheres que servem pra mulheres, me respeitam tímidas dessa vez. Como se eu fosse velha ou aleijada. Isso é um gozo dentro de mim. Sofrer por amor é um gozo. Me faz sentir superior porque carrego essa estrela negra e carrego esse céu escuro, e esse cemitério de felicidades. E poros que sangram em silêncio. Tudo isso faz de mim um peso de papel e meus pensamentos não voam mais descompromissados e jovens e coloridos e destacáveis. Eles se unem para, num bloco só, sentir tua falta quando estamos longe. Parece tão longe, as vezes mas não é. Que é algo imenso demais pra se sentir sem estar toda. E por isso, por eu ser agora um peso e papel de mim, as pessoas me velam tristes como se eu estivesse ligada a um soro ou como se eu estivesse acenando a elas, de longe, de um lugar devastado por alguma guerra ou vírus. Como se, de dentro de um planeta que sofreu irradiação, eu acenasse protegida por vidros antes de virar pó químico. Elas me olham como se eu fosse um peixe envenenado num aquário abandonado. Ninguém me olha, na verdade, mas fantasio tudo isso e é de fato muito arrogante ter um peito apaixonado. Pra que o peso do peito apaixonado não nos faça caminhar de ponta cabeças, empinamos com toda a força o coração. Como se fossemos muito diferentes e especiais por estar assim. O estado interessante. A gravidez do peito. O peito com alguém dentro. Não se sinta mal por eu ficar doze horas do meu dia olhando um ponto invisível na parede. Ou por eu gemer de leve quando chega a hora de eu acordar. Ou pela dor nos meus ombros sempre me avisarem que será mais uma luta pra tentar não ouvir a tua voz, o tempo todo, a mais bonita voz que se tem notícias pelos ares do mundo. Ou por eu segurar os instantes quando afundo na água, em segundos dramáticos de desistência. Ou por eu ter sempre moleiras de lágrimas iluminando meus olhos. Eu gosto disso. Eu gosto de caminhar soberba e dura e pesada e arrastada e arranhada e retesada e ensanguentada pelas ruas. Eu gosto de ser um escombro perambulando entre todos que não estão apaixonados por você e, só por isso, são inferiores a mim. E de ver o vazio, o normal, o médio, as pessoas, e me sentir mais alta. Ou baixa. Mas sempre de outro lugar. Eu gosto do coração barrigudo e disso me fazer imensa e cheia de você. Implodida de você e sentindo as dores e as fumaças de andares que desabam quando você diz que agora só amanhã ou depois de amanhã ou nunca. Pode até ser que um dia ou breve outra pessoa te tenha agora andando pela sua casa e dormindo na sua cama e pegando uma água na sua geladeira. Mas eu tenho algo mais importante, sabe o que é? Eu tenho você no meu fígado e rins e veias e artérias e sonhos e líquidos e células. Eu gosto do sangue esguichando do meu nariz, e dos rios infinitos jorrando dos meus olhos, do exagero e da histeria e da psicopatia e do delírio que é estar apaixonada, de eu ter doze anos e ter medo de morrer de tanta atrapalhação, de como estar idiota assim parece novo e inexperiente porque sempre só se fica idiota assim pela primeira vez e caramba! É a minha primeira vez. Do animal cabeceando a jaula até a cabeça, antes enorme e agora comprimida e amassada, passar pelo pequeno vão livre e conseguir ir até você. E de como a gente se agarra a uma migalhinha de razão de areia flutuando num mar bravo. Da mesa com cinco amigas preocupadas, me vendo chorar no bar, enquanto sorrio e choro de novo. Eu gosto disso tudo, desse drama todo, dessa dor, das minhas olheiras, da minha face afundada pelo murro do amor. Eu gosto como as músicas e os filmes e as praias e os livros e os silêncios e as nuvens e os abraços e a noite e tudo ficam gritantes e insuportáveis e brilhantes e verdadeiros. De mim zumbi, do corpo que parece ter apanhado até cair inconsciente, do quase vomito ansioso e latejante no meio do peito. Então não se preocupe. Não se importe com isso. Pode ir. Me deixe assim e depois apenas me deixe. Eu crio meus labirintos sozinhas. Por favor. Não me tira dessa merda de vida e me faz ver sol, passarinhos cantando, tudo colorido só pra depois estancar uma faca no meu peito e demonstrar que a vida é realmente uma merda. Não faz isso comigo apenas no intuito de provar que preciso abrir meus olhos e não acreditar em todo mundo. Eu sou ingênua pra maioria das coisas da vida, cê sabe. Mesmo tendo vivido maior parte delas e sobrevivido. Eu sou uma sanfona de esperança, eu tenho estria na alma.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Coisas que me irritam.

(Sessão de descarrego dessa sexta-feira 13) Fofoca. Dor de dente. Dor de cotovelo. Gente sem noção. Mensagens-cabeças no msn. (Odeio e por isso não uso mais o meu). Telemarkenting, telefone. Gente que não tem nada a ver com a história. Falta de dinheiro, falta de saúde (principalmente), falta de noção, falta de pontualidade, falta de atitude, falta de humor! Ficar gripada no feriado. Minha impressora. Cólica (sofro tanto). Jiló. Vizinhos que escutam música ruim e alta. Gente pessimista. Emagrecer. Tédio. A violência no mundo. Gente que fala 'é nuix'. Homem mudo por opção. Homem hetero que usa mais cremes que eu. Essa mania das pessoas falarem: ja ta namorando? Mulher que não tem personalidade, te imita em tudo e finge que é original. Frases sem créditos ao autor. Fotos sem cédito ao fotografo. Falta de respeito aos artistas. Falta de incentivo aos artistas que realmente precisam. Espinha. Pinça ruim que não pinça nada. Piriguete que curte TUDO que seu namorado posta no facebook. Homem que faz luz no cabelo. Shampoo Dove. Segunda-feira. A faxineira mandar SMS avisando que só volta daqui a duas semanas. Lavar a louça. Ir a praia e se preocupar com filtro-solar toda hora (da última vez eu fiquei com um vermelho em formato de coração no joelho.) Ressaca. Politicos corruptos. Sentir ciúmes. Ficar sem tempo pra não fazer nada. Ficar muito tempo sem fazer nada. Gente que só te pede favor. Gente que fala palavrão demais. Gente com visual muito moderno (tenho aflição e fico confusa). Homens com calça skinny que não sejam magrelos e não pertençam aos Strokes. Heteros mais sensíveis que eu. Gente com mania de grandeza. Pessoas que maltratam garçons e vendedores de lojas (me indentifico com ambos e sofro). Gente que só tira foto pra postar no facebook e fingir que é feliz. Suco de caju (não posso esquecer disso nunca, é minha criptonita). Viajar de onibus com alguem do seu lado que come mexerica (ou queijo coalho). Filmes dublados (sempre com a voz da familia Dinossauro- socorro!) Ficar no vácuo no WhatsApp. Dizer 'te amo' e ouvir 'ok'. E pior de tudo: descobrir que essa lista ainda nem começou...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

É pra ti.

Eu acho engraçado o teu jeito. Tu és o tipo de garota que não precisa ser comum, digo.. Comum que falo é igual as outras. Não precisa de perna grossa, barriga definida, bunda e peito de pomba, és linda e única sendo assim: você. E eu acho tão engraçado isso, porque eu nunca vi uma garota tão linda quando tu, e eu já vi tantas por ai. Teu jeito de chamar atenção é diferente, conquistas as pessoas pela tua calma, teu jeito manso e infantil de falar, as tuas duvidas ingenuas, o amor pela escrita e pela leitura (isso me fascinou), a dedicação a quem tu amas, a maneira como tu mexe o nariz quando se sente incomodada com algo, quando ficas com vergonha e teu rosto fica num vermelho tom de tomate, quando tu descobre algo tão comum mas que tu não sabia e aí teu sorriso vai de orelha a orelha, que engraçado! A maneira desencanada de comer tudo que sente vontade sem ter preocupação com a balança, ou até quando tu fica irritada (chega a ser engraçado) ou quando simplesmente tu põe uma camiseta branca e um short, ahhh... Isso tudo é apaixonante. Eu te acho bonita sim sem precisar fazer desfile de moda todos os segundos do teu dia, sem fazer chapinha o tempo todo, usar maquiagem pesada, sem ter peito e bunda de atriz porno. Te acho bonita sem precisar de nada disso. E eu nem comentei do teu rosto, é tão engraçado porque branquinha assim es diferente de tudo, mas teu nariz é todo vermelhinho e a maçã do teu rosto tem um leve rosado. Fantástico, fascinante! Olha, nunca muda. Por favor, és estranha sim mas é um estranho lindo. Não perde isso, tudo que eu te peço: Não perde teu jeito único de viver e encarar a vida. Eu sei, poucos vão te amar e te apreciar como tu merece verdadeiramente, mas não te deixa cair por isso. Os poucos que virão fazer parte do mundo da Juliana, farão todo esse esforço valer a pena e muito. Tu es uma das poucas pessoas que eu afirmo que merece ser feliz de todo o coração. Por completo. Não desiste de ser quem és, por nada e nem ninguém desse mundo. Eu sei que tu não gosta de mim como gosto de ti, mas deixa eu só te olhar mesmo assim?

domingo, 18 de dezembro de 2011

Entre mortos e enterrados.

Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida, o maior. Aquele que talvez você nunca supere. É o tipo de pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado do que humano. E você lembra daquela sensação que sentia longe dele. De solidão profunda as vezes. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com coisas sem amor, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que beber pode ser uma opção legal. Cara, que vazio. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele. Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, ja foram tão importantes e.. será que não dá pra começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha pra frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nosso amigos ficando pra trás, nosso amor, nossos empregos, casas.. Um dia seremos nós até desaparecer. Mas a lição que eu aprendi é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu tentei consertar meu relacionamento com algumas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Quinze para as nove.

A coisa mais triste que já me aconteceu. Nem brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Tô deixando tudo lá. Não mexo em mais nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso ''I don't care'. Me nego a brigar, pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Estudar, dormir, respirar. E eu seguia brincando, querendo o mundo do meu jeito, na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Algo entre uma santa e uma pilantra. Desde que no controle e irritada. Agora não quero mais nada disso, de verdade. Ah meu trabalho não ficou bom? Me dá 0. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maçã. Não ligo pra dor, pro sangue, pro desfecho da novela, se o trânsito parou. Deixa assim, a vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero chances, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação de porque as pessoas são tão cruéis, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero de verdade, do fundo do meu coração, dormir. Eu quero não sentir, quero ver a vida em volta sem sentir nada. Uma emoção paralitica. Só rir nos meus sonhos de leve e superficialmente do que tiver muita graça e talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportavel. Mas tudo meio por osmose, sei la. Nada pessoal ou pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão dentro de mim vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir nada. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade e eu não consigo, me nego. Eu quis tanto ser feliz, tanto que chegava a ser arrogante. O trator da felicidade. Atropelei o mundo, tanta coisa dentro do peito, tanta vida, tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos e só fez afugentar um dos seres mais importantes pra mim. Não quero mais ser feliz, nem triste, nem nada. Quer dizer, quero ser feliz mas só consigo dormir. Eu quis tanto mandar na vida agora nem chego a ser mandada por ela. Deixa a vida ser como ela é, desde que eu continue dormindo. Ser invisível o que era antes meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportancia. Quase um alivio. I don't care.

domingo, 27 de novembro de 2011


Você chegou no meu mundo ao contrário. Me olhou bonito e entendeu o meu não-entender. De longe, Te sinto. Te sei.
Pior do que se sentir perdida é perder-se em si mesmo. No emaranhado do que você acredita misturado ao que você é ou era. O que você acredita, apostando corrida com o que você mais detesta. O que você tem, jogando palitinhos com o que você quer. Seu amor e suas dores na linha de chegada e o coração do juiz em dias de clássico.
Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam. Quando a cabeça não pensa o corpo padece. Mas quando a cabeça pensa demais será que nossa alma enriquece? Você cheio de indagações e de táticas que não fazem o menor sentido (pelo menos para você ou pelo menos naquele momento).
Suas certezas mudam, suas prioridades deixam de ser prioridades já que você nem sabe mais o que deseja. Até sabe, mas está tão longe e você tão cansado que o mais fácil é deixar que as prioridades te encontrem e você pode fugir do que não interessa. Seus princípios enfraquecidos te cobram uma atitude e você cobra coragem. Seus olhos pesam e seu coração já bate fraco. De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos. De tanto chorar pelo leite derramado você decide que se entender é complicado demais. O quente queima e o frio é gelado demais, vai o morno mesmo que não causa sensação alguma e no momento você não tem sequer condições de sentir algo. Sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Responsabilidades é chato demais e não aquece seus pés nos dias frios.
Você enfim, opta por decidir somente pelo necessário. Pelo que realmente vai fazer alguma diferença em sua vida e desiste de tentar equilibrar-se, isso é para artista circense e você nem gosta tanto de circo. Melhor deixar assim.
Uma porta de saída e uma de entrada. O que vale fica e o que não vale valesse. Nada de culpa ou de noites mal dormidas, nada de coração na boca e de frio na barriga.
Certas coisas não se explicam. Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolva. Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos. A alma entende e a boca cala.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vazio

Sai de casa hoje. Fiquei sozinha por horas num andar inteiro vazio. Parece comigo. Eu tenho um andar inteiro vazio. Os meus cinquenta e oito andares estão vazios. Está tudo vazio. Eu queria avisar as pessoas que eu era a melhor instalação daquele prédio. Veio ver o vazio? Olha pra mim. Não tenho nada dentro de mim. Nada. Não tenho vontade nenhuma de não lutar por você, e tenho toda vontade do mundo de lutar por você mas não tenho força. Eu não tenho nada. Eu perambulo por aí, atendendo meus 78 mil amigos e odiando ver o nome de cada um deles no visor do meu celular. Todos divertidos, leves, incríveis, amigos. E eu cagando um mundo pra toda essa merda.
Aí no aniversário do meu primo estavam contando a história de uma professora que enlouqueceu e jogou umas fotografias do último andar. Ninguém entendeu nada. Mas eu acho que entendi ela. O vazio dá desespero, cara. Dá um desespero filho da puta.
Aquele tobogã da piscina.. que merda é aquela? Vontade de sentir alguma emoção. O vazio dá um desespero silencioso. É como se o tempo jogado no lixo batesse sutil, num relógio esquecido em algum canto do quarto, que você só descobre quando está muito de madrugada e ao longe você escuta aquele tic, tac, tic, tac. Uma batida que quase não existe. Você não sabe se é o tempo sendo contado pra você ou o seu coração contando você pro tempo. Um desespero sem cara de desespero mas que é desespero puro. A pior espécie dele.
Tinha três policiais na frente do prédio. A vida anda tão sem graça que até o nada corre risco de ser roubado. Até porra nenhuma precisa de vigília. E eles com aquela cara brava, fechada. Uma cara familiar pra mim. Da pessoa que protege o nada como se fosse a única coisa que ainda restou. Um egoísmo em dividir o nada e ver ele virando alguma coisa.
Ai que dor. Que dor. Que merda. Que lixo. O andar vazio tem cestos de lixos espalhados. A vida anda tão chata que nem o nada pode sujar. Eu queria ter gritado. Eu queria ter essa cara de pau. E ter berrado no meio do andar vazio. Um grito de nada. Pior é que eu berrei. Berrei com o pior tipo de desespero do mundo. Meu silêncio, meu conformismo, minha aceitação, minha quase maturidade. Eu tenho a impressão que a hora que eu chorar, vai ser o choro mais triste do mundo. Mais triste que aquelas crianças carentes pedindo no sinal. Mais triste do que o sol frio entrando pelo vazio. E aquela bandinha tocando. E o velhinho na cadeira de rodas tomando sorvete. Mais triste que os gringos tirando fotos. No vazio cabe um monte de coisa, mas nenhuma se encaixa. Todas deslizam pelo rio de lagrimas que inundam os meus andares vazios. A hora que eu chorar vai ser o choro mais triste do mundo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Lá estou eu em mais uma noite mal terminada, risos pela metade, abraços estranhos. Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda, do meu pai, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro. Meus amigos me adoram e talvez chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota que tá ali no canto da mesa, de decote, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os diaas pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz? Será que eles sabem que se estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E isso mesmo com remedio, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meu amor sempre do meu lado. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo? Minha melhor amiga me ama, mas ela adora que eu seja o erro em pessoa só pra ela se sentir o acerto em pessoa. Meu melhor amigo me ama, muito, mas se pudesse de verdade, ele transaria comigo a noite inteira. Meu outro amigo me chamou de infeliz um dia e eu nunca mais consegui rir da infelicidade dele. Meus amigos me amam, muito, mas nem o máximo de amor de uma pessoa chega perto do que deveria ser amor. Amor não significa mais amor. E eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que eu não sei o que é. Ter alguém comigo pra confiar. Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só pra pular os dias sem dor. A cada semana sem dor que pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos. Eu invento o amor das pessoas por mim sim, e dói admitir isso. Mas é que eu não aguento mais não dar um rosto pra minha saudade. E não aguento os copos, as fumaças, as pessoas descartaveis, as intenções.. É tudo pela metade. Ao menos minha fantasia da confiança é por inteiro. Enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. E eu aqui comendo meus cookies na frente dessa merda de pc, ouvindo música triste meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí limpo o rosto e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada. Aí eu me acho louca. E aí eu deito pra dormir e penso em mil coisas. E eu rezo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que talvez, eu ja seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que escrevi 'ele' sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que ELE fosse meu amigo íntimo. E quando vou ver, já dormir. Sozinha.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Louca

Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca? Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser.E se eu ficasse louca.Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e não para mais até acabar?Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurandoNão caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando "olha, uma menina comendo Bis".

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Eu não sei voar.

Ele pisou enorme no meu meio sorriso, fazendo ele virar um pavor inteiro e verdadeiro. Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto , que prefiro que a vida seja assim mesmo.E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta.
Eu pude chorar todos os meus medos no meu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude berrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vicio em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem resposta para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir. Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer. Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque eu te amo mas as vezes não sei como amar. Eu chorei porque tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do teu perfume novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar , o meu medod e me mostrar pra voce tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito. E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga. Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras listas de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, eu sou criança, eu não sei o que fazer. Eu quero que você me ensine a ser uma mulher pra você. Eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que voou para o canto do meu quarto, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu vente negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu. E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo de barata. Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostra-la a ninguem. Ela é muito mais misteriosa que eu. Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior que o meu. porque ela não ama, ela não sente tristeza porque alguém quer lhe dar uma chinelada. Ela não se sente traida pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder. Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele. Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de sentir uma. E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. Eu chorei porque justamente descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso. Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro. E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna. Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta. E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
E eu precisei de uma barata pra perceber que as coisas podem dar certo sim, que existem momentos ruins em meio dos bons.

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma breve apresentação da minha pessoa para o ano que vai chegar.

Eu tenho medo bobo e coragens absurdas. Eu vivo cercada de pessoas por fora da minha bolha egocêntrica, infantil e sensível.
Eu preciso de sal e açúcar para não virar os olhos de pressão baixa e hipoglicemia, já tive ptíriase aliquenóide crônica e tenho prolapso de válvula mitral.
Eu quase nunca sei se uma palavra começa com e ou com i. Escrevo por três motivos simples: preciso aparecer e não sou bonita o suficiente, preciso matar o tempo e preciso não morrer.
Sou fútil, entro em pânico pela moda, mas meto um chinelinho pra parecer desencanada. Sou romântica, entro em pânico por não ser amada, mas quando sou fico nervosa. Vai entender.
Eu vivo à espera daquele momento, mas não sei que porra de momento é esse.
Às vezes sinto cheiros e morro de saudades de coisas que já não me lembro mais.
Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica.
Eu tenho uma risada escandalosa que me envergonha e uma mania ridícula de imitar a Madonna. Às vezes eu só queria estar deitada com meu diário, olhando as estrelas. Só.
Passo metade do dia odiando todo mundo e querendo ser sugada pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada.
Eu sei de cor tudo o que tenho que fazer para dar certo, mas tenho medo da responsabilidade de ser notada.
Adoro o toque do telefone que quebra o barulho do abandono, a força leve da caneta no papel que pode transformar tantas coisas e o som do carro chegando na chuva para me salvar. Eu adoro ouvir música bem alta, do som da agulha no disco e do resto do Sol que entra pela janela me trazendo calmaria por pertencer a algo e faniquito por não pertencer a tudo. Mas eu tenho apenas 96% da audição.
Ás vezes, eu gosto apenas da folha em branco, do silêncio, da noite e da janela fechada, de preferencia todos juntos.
Adoro o som de crianças num parquinho, adoro o colorido do arco-iris.
Acho tudo que se refere ao amor extremamente brega. Acho tudo o que não se refere ao amor extremamente infeliz.
Não sou lésbica mas adoro as mulheres, seus cheiros, cabelos, cinturas e mil faces pra disfarçar o obvio.
Tenho crises de pânico mas nunca tomei remédio nenhum, acho normal que às vezes o ar se despeça do meu mundinho fechado e me faça vagar pela falta de pressão do universo. Minha mão fica tão gelada e meu coração tão quente que eu pareço um petit-gateau.
Tenho medo de vomitar e não parar nunca mais de vomitar. De bater a cabeça desmaiada na pia e morrer solitariamente, entregando ao mundo por impotência minhas vísceras magoadas e sujas.
Eu tenho vontade de pisar na grama cheia de insetos que pinicam, de corroer minhas neuroses no ácido do meu fígado, de dormir melada de amor. Mas sou mais viciada em banhos do que qualquer outra coisa.
Adoro o papo furado de 'à luz de velas', adoro a ansiedade e ilusão de princesa. Mas também adoro um DVD de pijamão com minha gatinha e todas minhas guloseimas no armário da cozinha.
Eu corria atras o tempo todo, mas acabava dando de cara com minha bunda e odiava minha bunda. Agora amo minha bunda.
A maior alegria pra mim é colocar a música ''this fire'' do Franz Ferdinand e berrar, até porque depois de berrar eu fico rouca e amo voz rouca.
A última vez que fui meiga falei: não ta vendo que sou meiga, porra!
É isso, não vou falar do Barack, não vou falar da Dilma, não vou falar do beijo de sangue do filme Os sonhadores. Não vou falar de nada que não seja meu umbigo. Sou essa mala monotemática mesmo, chata, obsessiva, mas que ama muito mais do que odeia, apesar de odiar isso.
Feliz tudo pra todos vocês.
Eu não espero que você seja o grande amor da minha vida, eu quero que você queira ser o grande amor da minha vida. Parei de acreditar um pouco nisso na quinta séria quando a moça que trabalhava na minha escola disse que estava se separando do marido dela. E também depois que meus pais se separaram e a gente tinha que conviver com choro, mãe no banheiro jogada e cheiro de fumaça de cigarro pela casa. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos, razão pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que vamos nos ver, vamos comprar milhões de besteiras pra comer enquanto falamos bobagens. Não quero te odiar, não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de você como quem ama. Pois é, Raissa, ele nunca lembra de desligar o celular antes de entrar no cinema e sempre alguém liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o máximo de irritação que você me provoca é me acordar de manhã cedo ligando e falando bobagens que parecem ser importantes no celular. Não quero que você me largue, não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (ou tenho e não admito). É só que dessa vez eu quero muito que seja diferente. Dessa vez, com você, eu quero que dê certo. Que eu não te largue no altar, que eu não te veja com outra, que eu não tenha raiva, que você não parasse de comer cinco pedaços de pizza, que você entendesse meu problema com comida apimentada ou frutos do mar pra sempre, que você goste e cuide de mim como disse ontem a noite que cuidará. Eu quero que dê certo, não vamos estragar, por favor. Não vamos estragar, não vamos estragar. Posso pôr uma foto minha na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre, mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você, nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou fica me olhando no elevador. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fora do comum



Queria que algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse 'hey, você se expõe demais' e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar , porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu queria ir para um planeta onde nao existisse tempo de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no teu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me irrita esses milhares de sons tecnológicos que o mundo faz.
Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um sinal de luz reciproca no final do tunel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais, ninguém entende nada.. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove meses, portanto deve saber esperar uma ligação ou um sinal de 'pode avançar no joguinho' Eu não sei esperar nada. E a natureza gritando no meu ouvido que então, ja que sou birrenta, vou ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver. Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez quando. Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta certeza e tanta 'finesse' e tanta postura da gente? E eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar uma vontade de me entorpecer de alguém quando sugo a pessoa até a ultima gota.
O problema é que , nesse mundo sem graça com celulares que apitam e mensagens no Messenger que apitam e policiais mentais que apitam 'hey, segura a onda, não deixe ele perceber que pode comandar teu coração mole', ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até a ultima gota. Fica uma droga de um joguinho superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco.. Queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim ar razão ou o equilibrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar que da proxima vez eu serei normal. E jurar que da próxima vez eu obedecerei a natureza.. E depois chutar todos, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro lado e enxergar todo mundo pequenininho.

domingo, 21 de agosto de 2011

O buraco.

Não tem mais seus olhos arregalados além do susto, me pedindo que a gente se divirta, que a gente consiga porque, afinal, a vida não anda das mais fáceis pra você e você, sempre como um touro, tenta e consegue tudo. Olhos tão arregalados pra devorar, como um predador, pra se dar, pra correr atrás do que mata tanto desejo, pra conquistar o mundo com uma força que me faz ficar horas te olhando quase sem ar. Mas um pouco cego pra momentos cruciais de delicadeza e interpretação. Os vencedores são mesmo um pouco egoístas e apesar de você ter me visto tanto e feito tanto e sido mais do que tanta gente que tentou bastante, é claro que a luz principal você deve guardar para o seu caminho que eu tenho certeza que será maravilhoso. Olhar com amor requer um tempo que pessoas de passagem não podem e não devem ter e eu, em vão, tentei ser aquele maluco da plateia que agarrou o corredor rumo ao pódio solitário. Não tem mais você tirando sarro quando eu não aguentava as cocegas na minha perna e te dizia no escuro que era mais ou menos amor mesmo. Porque era. Porque é. Eu não aguento mais começar, queria tanto continuar. Não sei, não aguento, ainda não posso, mas queria continuar.
Alguma coisa deu errado em mim, eu não sei te explicar e eu não sei como arrumar e nem sei se tem ajuda pra isso. Mas meu corpo inteiro se revolta quando gosto de alguém. Me armo inteira pra correr pra bem longe e pra lutar com unhas gigantes quem tenta impedir. Me mata constatar como é ridiculo ficar com saudade só de voce esquecer de responder uma mensagem. Eu não sou louca, eu só não tenho pele pra proteger e quando você toca em mim eu sinto seus dedos e olhos e salivas deslizando por todos meus órgãos. E você não precisa entender o medo que isso dá, mas talvez umd ia possa ter carinho.
Me perdoe pelos meus mil anos a frente dos nossos segundos e pela saudade melancólica que eu senti o tempo todo mesmo sendo nosso primeiro mês. Pelo retesamento na hora de entregar. Pela maneira como eu grito e culpo você por uma angustia que sempre foi e sempre será só minha e que eu sempre suporto mas quando sinto amor fico achando que posso distribui-la um pouco, mesmo sabendo que é fatal. Me desculpe por eu ter querido tanto ficar bonita e perfeita e só ter conseguido esse nada. Me perdoe pelas vezes que de tanto querer leveza acabei pesando a mão.De tanto querer sentir, pensei sobre como estava sentindo e perdi o sentimento. Ou senti sem pensar e isso pra mim é como meus medos das drogas e então precisei te agarrar pra me proteger de não olhar você indo embora. Minha maior dor é não saber fazer a unica coisa que me interessa no mundo que é amar alguem. Me perdoa por eu querer de uma forma tão intensa tocar em voce que te maltrato. Minha mão acostumada com um mundo de chatices e coisas feias fica tão gigante quando pode tocar algo puro, que sufoca, esmaga e estraçalha. Me perdoe pela loucura que é algo tão pequeno precisando de amor e ao mesmo tempo algo tão grande que expulsa o amor o tempo todo. Eu sou uma sanfona de esperança. Eu tenho estria na alma.
Enfim. Cansei de pedir desculpa por quem eu sou. Cansei de ouvir de todo mundo como é que se trabalha, se ama, se permanece, se constrói. Eu tentei com todas as forças amar você de um jeito que fossemos só nós dois e agora sofro com todas as forças pelo buraco que ficou entre o meu celular que não recebe as mensagem fofas e minha gata que por ser titulada como sua filha, me lembra tanto você. Você vai embora e eu vou voltar para as minhas manhãs com o iogurte que eu odeio mas que é a única coisa que passa pela garganta quando o dia tem que começar. Vou voltar para aqueles trabalhos chatos, com pessoas que eu odeio. E ficar me perguntando de novo para quem mesmo eu tenho que ser porque só tem graça ser para alguém. E que se foda o amor próprio.
Você me disse e me olhou de formas terríveis mas o que sobrou colado em cada parte do dia e de mim é a maneira como você sorri levantando que nem criança o lábio superior direito e como eu gosto de você por isso e por tudo e mesmo quando é ruim e sempre quando é incrível e ainda e muito e por um bom tempo.

terça-feira, 26 de julho de 2011


Publicar um texto é uma maneira educada de dizer: me empresta seu peito? Porque a dor não está cabendo só no meu.

Should I?

Eu sou de gêmeos. Um signo de ar, mutável. Eu me distraio com tudo e você não imagina a facilidade que eu tenho de viajar sem sair do lugar. Mas nem tudo que nasceu comigo, ficou. Algumas situações amarraram meus pés no chão, fazendo com que eu me agarrasse firmemente à realidade. Paixões platônicas, são lindas, para crianças. Mas olha menino, olha como me deixaste hoje em dia. Todo meu teatrinho de não se envolver não deu em nada.
Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte, não fugirei de palavras bonitas porque não sou perfeita pra dizer, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em buscar de ter realmente uma vida.
Dessa vez eu não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final.
Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou nesse momento frágil que não quer acabar. Lembra do primeiro dia que a gente conversou? Por mais bobo e cotidiano que fosse o assunto, consegui ser natural. Perdi as ordens da perna na primeira vez que te vi, mas você nem ficou sabendo desse detalhe. Eu tenho medo de te assustar, me controlo quando você está perto.. Olha Menino, o que eu procuro é uma coisa estranha que muitas meninas passam pela vida sem conhecer ou sentir falta: compatibilidade. Eu procuro eu mesma nos outros, ou algo parecido. E você pode achar que não somos parecidos, mas você tem o que eu procuro. Então nunca ignore o que eu sou por não ter forças em me decifrar. É que tudo isso é muito novo pra mim, dividir medos. Dividir soluções pros meus medos. Eu nunca fiz isso. Quando alguma coisa tá errada, eu arrumo um jeito de conviver com isso sem atrapalhar ninguém. Mas dai você chega e quer consertar o que está errado. Isso é lindo, mas eu tenho medo de não saber lidar com as coisas do jeito que elas são, fora da realidade que criei. Eu gosto de reclamar, de me conformar e dizer ''tudo bem, eu sou assim''. Não diz que eu fico linda assim. Não diz que se adapta ao meu jeito estranho de ser. Desculpa, eu sei que te incomodo no celular sem dizer nada. Mas tua voz faz a corrida maluca do meu cérebro parar. Cura minhas náuseas da angustia de não saber. Entre todos esses medos e mortes da solidão em meio a todos, alguém sorri pra mim. No meio de tudo isso alguém pareceu se importar e demonstrar caráter. E ontem depois de estar com você, de sentir teu cheiro, tua pele, encostar a mão no seu rosto, ouvir coisas banais, enfim de sentir VOCÊ, eu tive e sempre terei absoluta certeza de que eu não quero que saia da minha rotina, permaneça SEMPRE por favor.