Sai de casa hoje. Fiquei sozinha por horas num andar inteiro vazio. Parece comigo. Eu tenho um andar inteiro vazio. Os meus cinquenta e oito andares estão vazios. Está tudo vazio. Eu queria avisar as pessoas que eu era a melhor instalação daquele prédio. Veio ver o vazio? Olha pra mim. Não tenho nada dentro de mim. Nada. Não tenho vontade nenhuma de não lutar por você, e tenho toda vontade do mundo de lutar por você mas não tenho força. Eu não tenho nada. Eu perambulo por aí, atendendo meus 78 mil amigos e odiando ver o nome de cada um deles no visor do meu celular. Todos divertidos, leves, incríveis, amigos. E eu cagando um mundo pra toda essa merda.
Aí no aniversário do meu primo estavam contando a história de uma professora que enlouqueceu e jogou umas fotografias do último andar. Ninguém entendeu nada. Mas eu acho que entendi ela. O vazio dá desespero, cara. Dá um desespero filho da puta.
Aquele tobogã da piscina.. que merda é aquela? Vontade de sentir alguma emoção. O vazio dá um desespero silencioso. É como se o tempo jogado no lixo batesse sutil, num relógio esquecido em algum canto do quarto, que você só descobre quando está muito de madrugada e ao longe você escuta aquele tic, tac, tic, tac. Uma batida que quase não existe. Você não sabe se é o tempo sendo contado pra você ou o seu coração contando você pro tempo. Um desespero sem cara de desespero mas que é desespero puro. A pior espécie dele.
Tinha três policiais na frente do prédio. A vida anda tão sem graça que até o nada corre risco de ser roubado. Até porra nenhuma precisa de vigília. E eles com aquela cara brava, fechada. Uma cara familiar pra mim. Da pessoa que protege o nada como se fosse a única coisa que ainda restou. Um egoísmo em dividir o nada e ver ele virando alguma coisa.
Ai que dor. Que dor. Que merda. Que lixo. O andar vazio tem cestos de lixos espalhados. A vida anda tão chata que nem o nada pode sujar. Eu queria ter gritado. Eu queria ter essa cara de pau. E ter berrado no meio do andar vazio. Um grito de nada. Pior é que eu berrei. Berrei com o pior tipo de desespero do mundo. Meu silêncio, meu conformismo, minha aceitação, minha quase maturidade. Eu tenho a impressão que a hora que eu chorar, vai ser o choro mais triste do mundo. Mais triste que aquelas crianças carentes pedindo no sinal. Mais triste do que o sol frio entrando pelo vazio. E aquela bandinha tocando. E o velhinho na cadeira de rodas tomando sorvete. Mais triste que os gringos tirando fotos. No vazio cabe um monte de coisa, mas nenhuma se encaixa. Todas deslizam pelo rio de lagrimas que inundam os meus andares vazios. A hora que eu chorar vai ser o choro mais triste do mundo.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Lá estou eu em mais uma noite mal terminada, risos pela metade, abraços estranhos. Olho pro lado e sinto uma saudade imensa, doída, desesperançada e até cínica. Saudade de alguma coisa ou de alguém, não sei. Talvez de mim, do útero da minha mãe, do meu anjo da guarda, do meu pai, de uma cena perfeita que meu inconsciente formou na infância e que eu me encarreguei de acreditar como sendo meu futuro. Meus amigos me adoram e talvez chorariam se eu morresse. Mas será que eles sabem que eu penso sempre na morte? Será que eles sabem que aquela garota que tá ali no canto da mesa, de decote, rindo pra caramba, contando mais uma de suas aventuras vazias e descartáveis, acorda todos os diaas pensando: o que eu realmente quero com essa vida? Como eu faço pra ser feliz? Será que eles sabem que se estou morrendo de rir agora, daqui a pouco vou morrer de chorar? E isso mesmo com remedio, mesmo com macumba, mesmo com espiritismo, mesmo com meu amor sempre do meu lado. Será que eles sabem o tanto que eu sofro e o tanto que eu não sofro a cada segundo? Minha melhor amiga me ama, mas ela adora que eu seja o erro em pessoa só pra ela se sentir o acerto em pessoa. Meu melhor amigo me ama, muito, mas se pudesse de verdade, ele transaria comigo a noite inteira. Meu outro amigo me chamou de infeliz um dia e eu nunca mais consegui rir da infelicidade dele. Meus amigos me amam, muito, mas nem o máximo de amor de uma pessoa chega perto do que deveria ser amor. Amor não significa mais amor. E eu, mais uma vez, olho para o lado morrendo de saudade dessa coisa que eu não sei o que é. Ter alguém comigo pra confiar. Sinto um nojo enorme e desesperador de todos os afetos em pílulas que posso ganhar. Odeio todas as minhas pílulas, odeio todos os amores baratos, curtos e não amores que eu inventei só pra pular os dias sem dor. A cada semana sem dor que pulo, pareço acumular uma vida de dor. Preciso parar. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar e mais ainda a dor que vem depois dos dias entorpecidos. Eu invento o amor das pessoas por mim sim, e dói admitir isso. Mas é que eu não aguento mais não dar um rosto pra minha saudade. E não aguento os copos, as fumaças, as pessoas descartaveis, as intenções.. É tudo pela metade. Ao menos minha fantasia da confiança é por inteiro. Enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso da melhor festa do mundo que nem começou, é sempre isso mesmo. E eu aqui comendo meus cookies na frente dessa merda de pc, ouvindo música triste meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. Aí limpo o rosto e percebo que não faz o menor sentido ser uma criança chorona preocupada. Aí eu me acho louca. E aí eu deito pra dormir e penso em mil coisas. E eu rezo a Deus que não espere mais eu ser legal para ser legal comigo, porque eu to esperando ele ser legal comigo para ser legal. Aí eu penso que ele já é legal comigo e que talvez, eu ja seja legal com ele. E que tá tudo bem. Mas se eu penso que tá tudo bem nesse segundo, isso só significa que vou pensar o oposto no segundo seguinte. E que escrevi 'ele' sem maiúscula mesmo, porque amigo íntimo a gente não fica com essa coisa de endeusar. E eu queria que ELE fosse meu amigo íntimo. E quando vou ver, já dormir. Sozinha.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Louca
Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca? Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser.E se eu ficasse louca.Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e não para mais até acabar?Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurandoNão caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando "olha, uma menina comendo Bis".
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Eu não sei voar.
Ele pisou enorme no meu meio sorriso, fazendo ele virar um pavor inteiro e verdadeiro. Eu canso dos meus meio sorrisos tanto, tanto , que prefiro que a vida seja assim mesmo.E aí me pergunto se chorei de tristeza profunda ou alegria libertadora, o que acaba dando no mesmo porque minha profundidade me liberta.
Eu pude chorar todos os meus medos no meu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude berrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vicio em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem resposta para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir. Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer. Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque eu te amo mas as vezes não sei como amar. Eu chorei porque tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do teu perfume novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar , o meu medod e me mostrar pra voce tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito. E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga. Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras listas de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, eu sou criança, eu não sei o que fazer. Eu quero que você me ensine a ser uma mulher pra você. Eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que voou para o canto do meu quarto, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu vente negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu. E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo de barata. Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostra-la a ninguem. Ela é muito mais misteriosa que eu. Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior que o meu. porque ela não ama, ela não sente tristeza porque alguém quer lhe dar uma chinelada. Ela não se sente traida pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder. Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele. Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de sentir uma. E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. Eu chorei porque justamente descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso. Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro. E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna. Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta. E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
E eu precisei de uma barata pra perceber que as coisas podem dar certo sim, que existem momentos ruins em meio dos bons.
Eu pude chorar todos os meus medos no meu sofá e eu pude ficar curvada do jeito que a minha sombra, que só eu vejo, é. E eu pude berrar todos os meus disfarces e ficar feia sem culpa, porque a dor consegue ser sempre maior do que qualquer culpa, por isso o meu vicio em sofrer.
Eu chorei a nossa imperfeição, eu chorei a saudade enganada da nossa perfeição, eu chorei a nossa necessidade de não se largar, a nossa necessidade de fugir do mundo em nós e a nossa necessidade de fugir de nós encontrando amigos.
Eu chorei o nosso ego que sempre tem resposta para tudo e não pode perder, chorei o nosso silêncio cansado de perguntas, a pobreza do mundo que nos impossibilita de sermos felizes sem culpa, a falta de simplicidade que eu tenho para ser feliz e eu chorei o espaço da nossa alma que ainda falta evoluir. Eu chorei o nosso medo de não sermos o que sonhamos. Eu chorei o medo que eu tenho de não ser quem você quer e o medo que eu tenho de ser exatamente o que você quer. Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar minha fragilidade escondida no meu mau-humor. Eu chorei de birra do meu lado homem.
Eu chorei porque eu te amo mas as vezes não sei como amar. Eu chorei porque tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do teu perfume novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim.
Eu chorei meu medo de submissão, o meu medo de vomitar , o meu medod e me mostrar pra voce tanto, tanto, e não ter mais o que mostrar. Eu chorei minha infinidade de coisas e o medo de você não querer abrir os mais de um milhão de baús que existem escondidos na caixa cerrada que eu guardo embaixo do meu peito. Eu chorei meu fim e o medo do meu infinito. E eu teria chorado cinco anos se você não me dissesse que já era hora de parar. E eu chorei escondida, porque eu não sei a hora de parar e não quero que ninguém me diga. Aliás, eu quero sim. Eu quero que você me diga quando for a hora de parar, de continuar e de não pensar em nada disso.
Eu quero que você me acorde com uma lista de horas e outras listas de anos e outra lista de encarnações. Eu quero que você me dê a mão e me ensine o que é um relacionamento porque eu só sei andar de quatro, eu sou criança, eu não sei o que fazer. Eu quero que você me ensine a ser uma mulher pra você. Eu não sei ser leve, eu não sei voar, mas a barata que voou para o canto do meu quarto, sabe.
Eu carrego o esgoto no meu vente negro, mas não sei voar como ela. Por isso ela ainda consegue ser melhor do que eu. E com todos os meus poderes para estragar a vida de alguém, eu ainda tenho medo de barata. Porque ela sabe ser misteriosa, ela sabe incomodar sem abrir a boca, ela sabe enojar o mundo com sua meleca branca sem ter que mostra-la a ninguem. Ela é muito mais misteriosa que eu. Em comum temos as chineladas do mundo e todos os seres amedrontados que querem acabar com a nossa raça. Mas o poder dela ainda é muito maior que o meu. porque ela não ama, ela não sente tristeza porque alguém quer lhe dar uma chinelada. Ela não se sente traida pelas chineladas do mundo.
Ela não sabe o que é não entender nada desse mundo e ter medo do tempo. Ela não sabe o que é ter nas mãos o poder de construir e destruir e ter tanto medo desse poder. Ela vive no esgoto e não sabe o que é ter tanto medo dele. Ela é uma barata e nunca vai saber o medo que a gente sente de sentir uma. E eu chorei tanto que finalmente transformei meu meio canto de boca num bico inteiro. Eu chorei porque justamente descobri que viver na cabeça também é um tipo de coragem, porque eu não protejo a alma de feridas e nem de descanso. Mas aí ela, preta, imunda, nojenta, indesejada, um pedaço do esgoto, vôa em minha direção e me coloca em movimento. E eu corro pra bem longe e não penso, só corro. E isso é tão diferente para mim, estar em movimento de fora para dentro, que eu choro de emoção.
Eu não pensei, eu vivi. Eu corri dela, eu vivi o medo. Eu vivi o nojo. E eu chorei de dor de sair da minha bolha interna. Ela me fez ter vontade de gritar para o mundo nojento para que ele deixe meu coração em paz. Meu coração que quer amar em paz e esquecer que a vida pode ser nojenta. E eu corri de tudo o que é nojento, e eu chorei porque com tantas coisas lindas me acontecendo, eu precisei de uma barata para me lembrar de sentir a vida fora da minha bolha.
E eu precisei de uma barata pra perceber que as coisas podem dar certo sim, que existem momentos ruins em meio dos bons.
domingo, 16 de outubro de 2011
Uma breve apresentação da minha pessoa para o ano que vai chegar.
Eu tenho medo bobo e coragens absurdas. Eu vivo cercada de pessoas por fora da minha bolha egocêntrica, infantil e sensível.
Eu preciso de sal e açúcar para não virar os olhos de pressão baixa e hipoglicemia, já tive ptíriase aliquenóide crônica e tenho prolapso de válvula mitral.
Eu quase nunca sei se uma palavra começa com e ou com i. Escrevo por três motivos simples: preciso aparecer e não sou bonita o suficiente, preciso matar o tempo e preciso não morrer.
Sou fútil, entro em pânico pela moda, mas meto um chinelinho pra parecer desencanada. Sou romântica, entro em pânico por não ser amada, mas quando sou fico nervosa. Vai entender.
Eu vivo à espera daquele momento, mas não sei que porra de momento é esse.
Às vezes sinto cheiros e morro de saudades de coisas que já não me lembro mais.
Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica.
Eu tenho uma risada escandalosa que me envergonha e uma mania ridícula de imitar a Madonna. Às vezes eu só queria estar deitada com meu diário, olhando as estrelas. Só.
Passo metade do dia odiando todo mundo e querendo ser sugada pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada.
Eu sei de cor tudo o que tenho que fazer para dar certo, mas tenho medo da responsabilidade de ser notada.
Adoro o toque do telefone que quebra o barulho do abandono, a força leve da caneta no papel que pode transformar tantas coisas e o som do carro chegando na chuva para me salvar. Eu adoro ouvir música bem alta, do som da agulha no disco e do resto do Sol que entra pela janela me trazendo calmaria por pertencer a algo e faniquito por não pertencer a tudo. Mas eu tenho apenas 96% da audição.
Ás vezes, eu gosto apenas da folha em branco, do silêncio, da noite e da janela fechada, de preferencia todos juntos.
Adoro o som de crianças num parquinho, adoro o colorido do arco-iris.
Acho tudo que se refere ao amor extremamente brega. Acho tudo o que não se refere ao amor extremamente infeliz.
Não sou lésbica mas adoro as mulheres, seus cheiros, cabelos, cinturas e mil faces pra disfarçar o obvio.
Tenho crises de pânico mas nunca tomei remédio nenhum, acho normal que às vezes o ar se despeça do meu mundinho fechado e me faça vagar pela falta de pressão do universo. Minha mão fica tão gelada e meu coração tão quente que eu pareço um petit-gateau.
Tenho medo de vomitar e não parar nunca mais de vomitar. De bater a cabeça desmaiada na pia e morrer solitariamente, entregando ao mundo por impotência minhas vísceras magoadas e sujas.
Eu tenho vontade de pisar na grama cheia de insetos que pinicam, de corroer minhas neuroses no ácido do meu fígado, de dormir melada de amor. Mas sou mais viciada em banhos do que qualquer outra coisa.
Adoro o papo furado de 'à luz de velas', adoro a ansiedade e ilusão de princesa. Mas também adoro um DVD de pijamão com minha gatinha e todas minhas guloseimas no armário da cozinha.
Eu corria atras o tempo todo, mas acabava dando de cara com minha bunda e odiava minha bunda. Agora amo minha bunda.
A maior alegria pra mim é colocar a música ''this fire'' do Franz Ferdinand e berrar, até porque depois de berrar eu fico rouca e amo voz rouca.
A última vez que fui meiga falei: não ta vendo que sou meiga, porra!
É isso, não vou falar do Barack, não vou falar da Dilma, não vou falar do beijo de sangue do filme Os sonhadores. Não vou falar de nada que não seja meu umbigo. Sou essa mala monotemática mesmo, chata, obsessiva, mas que ama muito mais do que odeia, apesar de odiar isso.
Feliz tudo pra todos vocês.
Eu preciso de sal e açúcar para não virar os olhos de pressão baixa e hipoglicemia, já tive ptíriase aliquenóide crônica e tenho prolapso de válvula mitral.
Eu quase nunca sei se uma palavra começa com e ou com i. Escrevo por três motivos simples: preciso aparecer e não sou bonita o suficiente, preciso matar o tempo e preciso não morrer.
Sou fútil, entro em pânico pela moda, mas meto um chinelinho pra parecer desencanada. Sou romântica, entro em pânico por não ser amada, mas quando sou fico nervosa. Vai entender.
Eu vivo à espera daquele momento, mas não sei que porra de momento é esse.
Às vezes sinto cheiros e morro de saudades de coisas que já não me lembro mais.
Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica.
Eu tenho uma risada escandalosa que me envergonha e uma mania ridícula de imitar a Madonna. Às vezes eu só queria estar deitada com meu diário, olhando as estrelas. Só.
Passo metade do dia odiando todo mundo e querendo ser sugada pela minha própria insignificância. A outra metade passo rindo do quanto sou dramática e exagerada.
Eu sei de cor tudo o que tenho que fazer para dar certo, mas tenho medo da responsabilidade de ser notada.
Adoro o toque do telefone que quebra o barulho do abandono, a força leve da caneta no papel que pode transformar tantas coisas e o som do carro chegando na chuva para me salvar. Eu adoro ouvir música bem alta, do som da agulha no disco e do resto do Sol que entra pela janela me trazendo calmaria por pertencer a algo e faniquito por não pertencer a tudo. Mas eu tenho apenas 96% da audição.
Ás vezes, eu gosto apenas da folha em branco, do silêncio, da noite e da janela fechada, de preferencia todos juntos.
Adoro o som de crianças num parquinho, adoro o colorido do arco-iris.
Acho tudo que se refere ao amor extremamente brega. Acho tudo o que não se refere ao amor extremamente infeliz.
Não sou lésbica mas adoro as mulheres, seus cheiros, cabelos, cinturas e mil faces pra disfarçar o obvio.
Tenho crises de pânico mas nunca tomei remédio nenhum, acho normal que às vezes o ar se despeça do meu mundinho fechado e me faça vagar pela falta de pressão do universo. Minha mão fica tão gelada e meu coração tão quente que eu pareço um petit-gateau.
Tenho medo de vomitar e não parar nunca mais de vomitar. De bater a cabeça desmaiada na pia e morrer solitariamente, entregando ao mundo por impotência minhas vísceras magoadas e sujas.
Eu tenho vontade de pisar na grama cheia de insetos que pinicam, de corroer minhas neuroses no ácido do meu fígado, de dormir melada de amor. Mas sou mais viciada em banhos do que qualquer outra coisa.
Adoro o papo furado de 'à luz de velas', adoro a ansiedade e ilusão de princesa. Mas também adoro um DVD de pijamão com minha gatinha e todas minhas guloseimas no armário da cozinha.
Eu corria atras o tempo todo, mas acabava dando de cara com minha bunda e odiava minha bunda. Agora amo minha bunda.
A maior alegria pra mim é colocar a música ''this fire'' do Franz Ferdinand e berrar, até porque depois de berrar eu fico rouca e amo voz rouca.
A última vez que fui meiga falei: não ta vendo que sou meiga, porra!
É isso, não vou falar do Barack, não vou falar da Dilma, não vou falar do beijo de sangue do filme Os sonhadores. Não vou falar de nada que não seja meu umbigo. Sou essa mala monotemática mesmo, chata, obsessiva, mas que ama muito mais do que odeia, apesar de odiar isso.
Feliz tudo pra todos vocês.
Eu não espero que você seja o grande amor da minha vida, eu quero que você queira ser o grande amor da minha vida. Parei de acreditar um pouco nisso na quinta séria quando a moça que trabalhava na minha escola disse que estava se separando do marido dela. E também depois que meus pais se separaram e a gente tinha que conviver com choro, mãe no banheiro jogada e cheiro de fumaça de cigarro pela casa. A moça da biblioteca chorou. Não quero que você me faça chorar. Não quero que você seja motivo ruim na minha vida. Você é motivo de sorrisos, razão pra eu acordar num dia de chuva e tomar banho e mudar de roupa porque eu sei que vamos nos ver, vamos comprar milhões de besteiras pra comer enquanto falamos bobagens. Não quero te odiar, não quero falar mal de você pros outros. Pras minhas amigas. Quero falar mal de você como quem ama. Pois é, Raissa, ele nunca lembra de desligar o celular antes de entrar no cinema e sempre alguém liga. Sabe, eu quero dizer isso. Que o máximo de irritação que você me provoca é me acordar de manhã cedo ligando e falando bobagens que parecem ser importantes no celular. Não quero que você me largue, não quero te largar. Não quero ter motivos pra ir embora, pra te deixar falando sozinho, pra bater o telefone na sua cara. E eu não tenho medo que isso aconteça (ou tenho e não admito). É só que dessa vez eu quero muito que seja diferente. Dessa vez, com você, eu quero que dê certo. Que eu não te largue no altar, que eu não te veja com outra, que eu não tenha raiva, que você não parasse de comer cinco pedaços de pizza, que você entendesse meu problema com comida apimentada ou frutos do mar pra sempre, que você goste e cuide de mim como disse ontem a noite que cuidará. Eu quero que dê certo, não vamos estragar, por favor. Não vamos estragar, não vamos estragar. Posso pôr uma foto minha na sua carteira? Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre, mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você, nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou fica me olhando no elevador. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Fora do comum
Queria que algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim a razão ou o equilíbrio. Eu queria que existisse um canto do mundo que nunca me dissesse 'hey, você se expõe demais' e que me deixasse ser assim e apenas me deixasse ficar quietinha e quente quando o mundo resolvesse me magoar , porque eu sou briguenta, mas sou mais sensível que maria-mole na frigideira. Eu queria ir para um planeta onde nao existisse tempo de beijar e tempo de pirar. E eu pudesse ir agora no teu mundo e te beijar até enjoar de você. E eu pudesse, de repente, gritar bem alto, porque me irrita esses milhares de sons tecnológicos que o mundo faz.
Eu falo o que penso, abro as portas da minha casa, da minha vida, da minha alma, dos meus medos. Basta eu ver um sinal de luz reciproca no final do tunel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo o mundo. Sou demais, ninguém entende nada.. E que se dane a natureza gritando no meu ouvido que não posso ser assim. Que a boa fêmea sabe esperar nove meses, portanto deve saber esperar uma ligação ou um sinal de 'pode avançar no joguinho' Eu não sei esperar nada. E a natureza gritando no meu ouvido que então, ja que sou birrenta, vou ficar sem nada mesmo. Porque é preciso saber viver. Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez quando. Quem é essa natureza maluca, quem é esse mundo maluco? Quem são esses doidos que exigem tanta certeza e tanta 'finesse' e tanta postura da gente? E eu queria te beijar até enjoar. Porque eu só sei curar uma vontade de me entorpecer de alguém quando sugo a pessoa até a ultima gota.
O problema é que , nesse mundo sem graça com celulares que apitam e mensagens no Messenger que apitam e policiais mentais que apitam 'hey, segura a onda, não deixe ele perceber que pode comandar teu coração mole', ninguém mais sabe nem sugar e nem ser sugado até a ultima gota. Fica uma droga de um joguinho superficial de trocas superficiais. E ai de quem resolva sair disso. Vai ser tachado de louco de pedra. Maluco.. Queria que ao menos algum canto do mundo me acolhesse. E me abraçasse e dissesse que tudo bem, tudo bem de vez em quando eu perder assim ar razão ou o equilibrio. E repetir e repetir e repetir o erro. E jurar que da proxima vez eu serei normal. E jurar que da próxima vez eu obedecerei a natureza.. E depois chutar todos, porque no fundo tô pouco me lixando pra essa maioria idiota. Pode até ser meio solitário correr contra a maré, mas como é gostoso olhar a multidão do outro lado e enxergar todo mundo pequenininho.
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